20/01/2020 11:09:00

Avião chinês tem erro matemático de engenharia





Made in China

Engenheiros enviaram dados incorretos para o fabricante dos motores

Erro matemático nos dados dos motores atrasa ainda mais o projeto do C919

O sonho de Pequim ter um avião chinês competindo com a Airbus e Boeing parece cada vez mais difícil após os engenheiros da COMAC (Commercial Aircraft Corporation) enviarem cálculos de engenharia com dados errados para a CFM International, responsável pela produção dos motores do avião C919.

O C919 é o primeiro avião comercial projetado do zero na China, utilizando uma extensa base de engenharia obtida durante o desenvolvimento do ARJ21, desenvolvido a partir do projeto do norte-americano MD-80. O modelo espera ser um competidor a altura dos rivais ocidentais, como o Airbus A320neo e Boeing 737 MAX.

A COMAC, fabricante estatal dedicado a aviação comercial, sofreu um duro golpe no programa C919, que acumula 5 anos de atraso por conta de problemas técnicos. Embora seja recorrente ocorrer problemas e revisão no cronograma de projetos complexos, o C919 agora acumula um erro de engenharia considerado elementar, ao mesmo tempo que bastante grave, o envio de dados incorretos para a fabricante dos motores. Com parâmetros errados, o motor LEAP 1C, destinado ao C919, teve seu desenvolvimento incorreto e fora dos parâmetros ideais para o modelo. Ainda que não represente, por ora, nenhum risco ao avião, os dados errôneos podem significar em maior consumo de combustível, desgaste prematuro de componentes, desempenho fora da faixa ideal em diversas situações de voo, entre outros.

O erro primário compromete a credibilidade do programa, que é visto pelas autoridades chinesas como uma vitrine para a qualidade dos projetos desenvolvidos na China, superando o tradicional receio internacional com relação a qualidade dos produtos com tecnologia local. Além disso, o C919 é o primeiro avião desenvolvido por uma empresa chinesa que conta com ampla participação de fornecedores globais, aproximando o programa do padrão adotado pelos principais fabricantes do mundo, como Airbus, Boeing e Embraer, que utilizam uma grande cadeia de parceiros.

As falhas atrasaram principalmente o cronograma de certificação do avião pela Administração de Aviação Civil Chinesa (CAAC), que passou a seguir os mesmos protocolos adotados por seus pares, como a norte-americana FAA. A fabricante estatal havia estabelecido o prazo para certificação para final de 2020.

O C919 foi projetado para acomodar até 168 passageiros, apesar de não ter sido divulgado o seu preço, acredita-se que poderá ser até 30% inferior que um Airbus A320neo ou um Boeing 737 MAX, atualmente o C919 possui pedidos firmes de 20 clientes, praticamente todos chineses. O objetivo inicial da COMAC é atender a demanda interna da China, que representa vender mais de 6.000 aeronaves da categoria do C919. A meta é obter ‘apenas’ um terço desses pedidos, o que colocaria o C919 como um dos aviões de maior sucesso da indústria.

Procurada a COMAC não respondeu aos questionamentos de AERO Magazine até o fechamento da matéria.



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